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17.07.2012 | 10:00

Empreendedor Individual

Catador de sonhos

Depois de 30 anos na informalidade, catador de papel realiza sonho de ter a própria empresa, se registra como Empreendedor Individual e já planeja novas conquistas

Wanessa de Almeida


Silvio Simões

Catador Manoel Lima faz sinal de positivo ao lado de papeis recolhidos nas ruas de Abadiânia

A vida do catador de papel Manoel Lima de Barros, de 60 anos, promete ganhar novos rumos a partir de agora. Depois 30 anos trabalhando na informalidade, o mineiro, residente desde o início da década de 80 em Abadiânia, município a 85km de Goiânia (GO), realizou o sonho de regularizar o seu negócio. Ele procurou a Escritório Regional do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Goiás) em Anápolis, no início do mês, para pedir informações sobre como obter o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e saiu de lá como Empreendedor Individual.

Mas até realizar o sonho, Manoel precisou percorrer um longo caminho, repleto de desafios e dificuldades. No final dos anos 70, migrou da cidade de Porteirinhas – quase na divisa de Minas Gerais com a Bahia – para São Bernardo do Campo (SP) em busca de melhores condições de vida. Por ser analfabeto e não ter documentos de identificação passou dificuldades. “Foi o dono de uma chácara de hortaliças que me ajudou com trabalho e a me registrar”, conta.

Com a documentação em mãos, Manoel começou a atuar como servente de pedreiro. Chegou a se tornar mestre de obras, mas foi como catador de papel que conseguiu reunir dinheiro necessário para retornar à sua terra natal, onde se casou com Valdeni Vieira de Barros, 55. “A vida lá era difícil e foi por isso que resolvi vir para Goiás. Cheguei em Abadiânia sem nada e fui trabalhar numa fazenda, mas como a cidade não tinha muitos catadores de papel, voltei a trabalhar como catador”, revela.

O pedreiro e a servente

Foi do pouco que ganhava coletando papel e outros materiais recicláveis que Manoel construiu a casa onde reside com a mulher. “Como não tínhamos condições para pagar, eu fui o pedreiro e a Valdeni minha servente”, disse, emocionado.

Além da residência, o dinheiro da reciclagem, em conjunto com apoio de conhecidos, proporcionou que as duas filhas do casal também conseguissem ter acesso ao ensino superior. Adriana Vieira de Barros, 35, é professora em Anápolis; Viviane Vieira de Barros, 34, se graduou recentemente em Psicologia.

Agora, como Empreendedor Individual, Manoel anseia por mais lucratividade com o trabalho. “Eu nunca consegui vender o papel que juntava para empresas de reciclagem, que exigiam o CNPJ. Então sempre tinha que vender para atravessadores, que pagavam bem menos do que o material valia”, relata.

Produto de maior valor na reciclagem, as latas de alumínio devem proporcionar aumento de ganho de até 30%. Hoje, Manoel vende o quilo de latinhas a R$ 2 para o atravessador. Entregando diretamente no depósito, ele pode receber até R$ 2,60. “É uma diferença grande.”

Cidadania

Assim como o catador de papel de Abadiânia, milhares de microempresários permanecem com negócios informais por não saberem que a formalidade é mais vantajosa. Mesmo sem ter frequentado escola, Manoel tinha a consciência de que somente com a regularização é que seu trabalho renderia mais lucros e lhe daria melhores condições de vida.

E foi sua persistência e humildade que admiraram a equipe do Sebrae em Anápolis. A agente de desenvolvimento Tânia Cristina Pereira de Andrade conta que, durante o preenchimento da ficha de atendimento, Manoel não sabia informar o número de seu telefone celular. Humildemente, ele pegou o aparelho e deu para que Tânia procurasse na agenda, mas nenhum número estava salvo. Para descobrir, Tânia fez ligação do celular dele para o número próprio e anotou em um papel. O procedimento comum emocionou o catador.

“Ele chorou muito e agradeceu em oração pela atenção. Também disse que estava sendo tratado de forma humana e não como era acostumado nas ruas, muitas vezes com humilhações”, diz. Ao se despedir de Tânia, Manoel contou, ainda, que pretende comprar um pequeno caminhão para transportar o material recolhido para reciclagem, facilitando o trabalho árduo e cansativo, mas que a partir de agora será mais compensador.

Num galpão pequeno na periferia de Abadiânia, Manoel Lima de Barros prensa os papeis para serem enviados à reciclagem em uma máquina manual, que ele mesmo fabricou. Ele precisa empregar muita força nos braços para conseguir prensar o material. “Seu eu tivesse uma prensa hidráulica, facilitaria bastante o meu trabalho”, afirma o catador, que ainda não tem condições de adquirir o equipamento.

Serviço:
Manoel Lima de Barros: (62) 9152-8526
Rua João Ferreira, Qd. 106, Lt. 14, Prolongamento I, Abadiânia (GO)
Sebrae - Regional Centro: Av. Minas Gerais, 135, Setor Jundiaí – Anápolis (GO) 
Fone: (62) 3321-3727 
Agência Sebrae de Notícias (ASN Goiás): (62) 3250-2268
Central de Relacionamento Sebrae: 0800 570 0800
Oficina de Comunicação: (62) 3225-4899

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