Chapada dos Veadeiros

Associação para manter o cerrado de pé

A expectativa dos coletores com a instalação da entidade é realizar a coleta de 20 toneladas de sementes até o fim do ano

Uma cooperação mútua entre comunidade, coletores de sementes, entidades e parceiros, levaram à criação da ‘Associação Cerrado de Pé’, inaugurada no dia 10 de junho, em São Jorge (GO). A instituição conta com 66 coletores associados que almejam, até o fim do ano, realizar a coleta de 20 toneladas de sementes na região. O Sebrae, após pedido do defensor do meio ambiente, idealizador da associação e ator Marcos Palmeira, apoia a iniciativa e irá acompanhar as 30 famílias com projetos e capacitação de incentivo ao reposicionamento do artesanato, fomento de mercado e turismo de experiência.

Durante a inauguração, a gestora do Projeto Brasil Central Turismo, Andrea Carneiro, destacou o potencialidade da associação e a implantação de novas ações em benefício aos associados. “Em São Jorge está sendo plantada a semente do bem. Acreditamos que o trabalho dos coletores além de gerar renda e aquecer a economia tem grande importância para a preservação ambiental. O objetivo é incentivar o turismo com projetos e capacitações do Sebrae”. O prefeito de Alto Paraíso Martinho Mendes apoiou a iniciativa. “A associação nos gera grande satisfação. Ela é importante para a recuperação e guarda um patrimônio do cerrado”.

Dentre as principais espécies coletadas pelo grupo estão o Ipê, Canoeiro, Caraíba, Copaíba, Lobeira e Piquí. O presidente da Associação Cerrado de Pé, Claudomiro Almeida, destaca que antes de realizarem a coleta de sementes, os coletores viviam da agricultura e para isso faziam a roça de ‘toco’. Ele explica que esse tipo de agricultura se dá com a plantação através da derrubada da mata nativa, seguida pela queima da vegetação, para posteriormente ser realizado o plantio de alimentos. “Os produtores rurais estão descobrindo agora o potencial do plantio de sementes, que gera renda e contribui para a preservação do meio ambiente”, disse.

Após conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e o trabalho de coleta de sementes da região, o ator Marcos Palmeira idealizou uma associação para os coletores e também buscou o apoio do Sebrae. O ator luta pela preservação dos biomas para o meio ambiente como um todo e para a melhoria da qualidade de vida e fonte de renda dos habitantes. “Sem a ajuda do Marcos Palmeira, que nos trouxe ao apoio do Sebrae, não teríamos conseguido. Só temos que agradecer por hoje termos uma associação que nos dá o suporte para trabalharmos cada vez mais”, afirmou.

A professora adjunta da Universidade de Brasília (UNB), Isabel Belloni, lembra que o trabalho iniciou há cinco anos com pesquisas e orientações aos coletores que não tinham conhecimento aprofundado sobre as variadas espécies. “O cerrado possui 12 mil espécies de plantas e 4.400 delas são genuínas do cerrado. Os coletores participaram de capacitação para identificação das espécies que podem ser plantadas no cerrado e já estão aptos a definir quais dessas espécies são aptas ao plantio”, explica.

Depois do processo de capacitação, era necessário pensar na venda das sementes e a parceria com a ‘Rede de Sementes do Cerrado’ trouxe a articulação da comercialização segundo a técnica da Rede de Sementes do Cerrado, Camila Mota. “A Rede é parceira da associação e realiza a venda das sementes. Cerca de 40 espécies já estão sendo comercializada com venda fechada e data de entrega prevista para novembro deste ano”. Ela explica ainda, que as sementes são utilizadas para restauração de áreas degradadas, além de serem úteis a empresas que realizam a compensação ambiental com o plantio de sementes que preservam a vegetação natural do cerrado.

 

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